Já não é mais possível para alguém do nosso tempo imaginar a vida dos casais sem métodos contraceptivos. Sabe-se que a introdução em larga escala dos métodos de contracepção, notadamente a pílula anticoncepcional, completou em 11 de maio último, 60 anos de existência.

Sendo mais preciso em termos históricos, foi em 15 de outubro de 1951, nos laboratórios de uma pequena companhia farmacêutica mexicana chamada Syntex SA que um jovem químico, de apenas 20 anos de idade, LUIS MIRAMONTES, sintetizou a NORETINDRONA - a primeira substância utilizada em larga escala como pílula anticoncepcional. Mas foi somente em 1960 que a poderosa FDA (órgão regulatória americano de Drogas e Alimentos), oficialmente, liberou o uso da substância em solo americano.

Poucos descobrimentos químicos no século XX tiveram tanto impacto na sociedade como os anticoncepcionais orais, pois a partir da sua introdução, a gravidez deixou de ser uma consequência lógica dos relacionamentos sexuais, mas sim, fruto de vontade e planejamento.

Assim, a obtenção de gestações passou a depender do desejo, da vontade da mulher e essa liberdade permitiu abrir espaço na luta (muitas vezes literalmente) pelo direito de igualdade na sociedade e ascensão a carreiras e postos até então dominados pelo universo masculino. De uma sociedade machista e patriarcal, lentamente migramos para um ponto de equilíbrio (ainda um pouco tênue, na minha opinião) entre homens e mulheres.

A sociedade contemporânea vive a igualdade de gênero e nem poderia ser diferente. Atualmente, casais planejam o momento e o número ideal de filhos com igual responsabilidade. 

No início, as primeiras pílulas anticoncepcionais apresentavam uma dose hormonal bastante elevada e não tardou para que alguns problemas surgissem relacionados à dosagem. O principal deles: fenômenos tromboembólicos (coágulos que se formavam nas pernas e que poderiam se deslocar para os pulmões).

Com o passar dos anos, avanços farmacêuticos permitiram o desenvolvimento de derivados da droga básica e, com isso, diminuição significativa da dose hormonal original. Novas formas de introdução no organismo foram testadas e aprovadas (via injetável, via transdérmica, via vaginal, vias sucutanea e tantas outras) e assim, nos dias atuais, há uma gama enorme de opções seguras para a contracepção.

De fato, as diversas opções contraceptivas que utilizam hormônios em sua formulação representam opção extremamente segura para a grande maioria das mulheres em idade fértil. É inequívoca a necessidade de uma boa avaliação médica para averiguar possíveis contra indicações ao uso dos contraceptivos hormonais e, também, para orientar a mulher a respeito da melhor e mais adequada formulação para o seu organismo em especial.

Nessa avaliação médica é imperioso considerar, dentre outras, a idade da paciente, o seu histórico médico relacionado a problemas circulatórios (principalmente no que se refere a episódios de trombose) e de doenças malignas pessoais e familiares (notadamente câncer de mama), seus hábitos de vida (inclusive, tabagismo), seu peso e suas expectativas em relação ao seu futuro reprodutivo.

A história da contracepção ao longo dos séculos é bastante rica, ao estudá-la, é possível compreender o termo que utilizei como título, pois realmente os anticoncepcionais são, para o universo feminino e para toda a sociedade, PÍLULAS DA LIBERDADE. Não uma liberdade vulgar, na acepção da sexualidade de forma promíscua e inadequada, mas LIBERDADE de sermos quem gostaríamos de ser, sem o peso que por milênios impeliu as mulheres para relacionamentos abusivos e para uma posição subalterna pela sua natural fertilidade.

 

por Dr. Claudinei Londero - CRM/PR 13.135


Publicado em 25/05/2020 Autora: Patricia De Conti - Copyright ©

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