Dias atrás, a cantora inglesa Adele publicou em seu Instagram uma foto sua, em comemoração ao seu 32º aniversário. Até aí tudo bem.... o que tomou proporções estratosféricas nas mídias foi a silhueta da donzela, um corpinho 45 quilos mais leve!

O burburinho foi tanto que a própria cantora se diz constrangida!

Fiquei me perguntando por que há tanta busca por corpos delineados, curvas certeiras, cabelos sedosos e pele lisa. O que trouxe isso até nós?

A cobrança pelo corpo "perfeito" tem se intensificado com o acesso às mídias sociais. Principalmente no Instagram está exposta a verdadeira “ilha da fantasia”, um modelo de vida ideal, belo, sofisticado, porém imaginário. E assim, muitas jovens - e não tão jovens - têm confundido essas imagens utópicas e se tornado refém de padrões inalcançáveis.

Nós bem sabemos que a vida real, com suas alegrias e dissabores, está anos-luz de distância dos retratos, das grifes, das poses, dos ângulos e da luz perfeita.

O ano era 1987, havia passado uns meses na Inglaterra para estudar inglês e retornei com alguns quilinhos a mais. Na verdade, eu nem havia me dado conta, mas quando desembarquei minha família ficou chocada e cobranças (minhas e de outras pessoas) com o corpo começaram a acontecer. Afirmo com propriedade, foram tempos terríveis.

Naquela época o despertar da minha vaidade ainda não havia acontecido e confesso, não entendia muito bem o que se passava e qual a real necessidade de me apresentar de outra forma. O fato é que ingeri medicamentos, fiz dietas mirabolantes. Conheci a culpa e a cobrança.

Os anos se passaram e o saldo disso tudo é a mais absoluta falta de paladar. Perdi o prazer com a alimentação, raramente tenho vontade de deliciar alguma comida em especial. Alimento-me adequadamente por mera disciplina e assim, com disciplina, mantenho, desde os meus 20 anos, o mesmo peso com mínimas variações.

Naturalmente pratiquei, desde que pisei neste planeta, atividade física. Gosto de me exercitar e sinto prazer em “suar a camisa”. Mas me pergunto: por que há tantas cobranças, o que fez de nós reféns de estereótipos?

Depois de muito pensar, confesso que não consigo definir corpo perfeito e a necessidade de alcançá-lo. Para mim, corpo perfeito é aquele que você tem!

A busca por saúde é outra história.... Se há sobrepeso e esses quilinhos a mais estão interferindo na sua pressão arterial, vá já emagrecer. Nesse caso, há uma causa sublime envolvida, que é a sua saúde.

Se certos alimentos não permitem boa digestão, exclua-os da sua dieta por essa razão.

Mas a pior e mais danosa consequência da insatisfação com o corpo é a falta de aceitação e baixa autoestima. São esses fatores que deixam a porta da vulnerabilidade aberta para enfermidades como depressão, transtornos alimentares (compulsão, bulimia), complexo de inferioridade. Nesses casos, a terapia pode promover exercícios de descoberta. Vale a pena!

Não sou psicóloga, mas se você embarcou nessa de viver se cobrando, tenho a dizer o seguinte: você não se restringe a um corpo! Fuja dessa assertiva. Você é essência, é bondade, é companhia, é um abraço amigo, é produtividade, é um ser divino, é amor e é única!

A auto aceitação do corpo e a capacidade de entender o que é real e o que não é, são determinantes para uma vida saudável e com bem-estar emocional.

Se necessário for, deixe de acessar certas mídias. Vá ler algo que te motive a ter um dia bom e produtivo. Não se sente na poltrona do vitimismo. Ame-se acima de tudo.

Mas se seu objetivo é mesmo emagrecer, acredito que novas informações não são necessárias. Estamos cansadas de saber o que engorda e o que é hipercalórico.

Mas antes, porém, de sair fazendo loucuras e passar o dia à base de alface, reflita se você não está olhando para o lugar errado. Vou explicar:

Eis dois grandes prováveis responsáveis pela sua insatisfação com a balança:

1. deixe de pensar em exercícios físicos como punição. Atividade física serve para promover mudanças hormonais que interferem no metabolismo de forma a potencializar a queima de gorduras e tonificar músculos.

2. preste atenção em alguns gatilhos, refiro-me a escolhas alimentares pautadas pelas emoções: solidão, falta de amor, auto sabotagem, estresse, ansiedade. Isso, certamente, é um grande atrapalho, mas se você já tomou ciência disso, deu um grande passo!

Acredito em soluções. Para tudo há solução e nesse caso em especial, creio em propósito e autenticidade. Corra atrás dos seus desejos e suas vontades, mas não sem antes se dar amor e compaixão.

Outra coisa: não acredite em milagres.... pelo menos não os relacionados com a balança. Correções curtas normalmente são danosas. Crie um plano de ação com correção de hábitos mas, não se esqueça, o principal hábito a ser incorporado é o amor-próprio!

Fique bem!


Publicado em 14/05/2020 Autora: Patricia De Conti - Copyright ©

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