Em tempos normais (refiro-me a antes da pandemia), circulávamos entre amigos, familiares e compromissos profissionais. A agenda sempre no limite.

Ainda que não cultivássemos fortes laços com as pessoas a nossa volta, essa circulação, por si só, aplacava a solidão. A distração diária como elemento de camuflagem.

Na verdade, a administração do tempo e de tantos sentimentos girava em torno de um dia repleto de afazeres.

Com o isolamento social muitas coisas mudaram: a solidão, com certeza, bateu à porta de muitos lares. E dentre tantos desafios no dia a dia, muitas pessoas passaram a lutar com mais esse.

 

Com certeza é difícil mudar a mentalidade quando estamos em um estado de “sofrência” ou no “olho do furacão” de alguma situação, mas é, justamente, vivendo essa experiência que precisamos buscar forças para criarmos movimento ou alternativa para a situação de dor.

Em se tratando de solidão, é preciso identificar pontos cegos, quem sabe desenvolver novas práticas de comunicação, estabelecer novos hobbies!

Outra possibilidade, que me parece a ideal, é fazer as pazes com a própria solidão, considerando que os momentos em que estamos sós são ótimos para desenvolver autoconhecimento.

Observe que há uma diferença, sutil mas há, entre ser só e estar só!

Estar só é uma opção para recolhimento e descobrimento de maravilhas e talentos dentro de nós.

Quando estou só, encontro nesse estado a chance de desenvolver outras percepções. É um mergulho em um jeito novo de ver. Adoro conversar comigo mesma e testar a minha memória e me desafiar com novas habilidades.

São incríveis as maravilhas que podemos encontrar nesse “estado”.

Somos animais sociais por natureza. Realmente precisamos nos sentir conectados com outras pessoas, mas também é na solidão que temos conversas honestas conosco. É quando ficamos cara a cara com o que somos.

O fato é que quem estava habituado a cultivar momentos consigo mesmo, tem se saído muito melhor nesse tempo de isolamento social.

E fique atento: o grande vilão da solidão é estabelecer cobranças com as pessoas ao redor, como se o outro fosse capaz de resolver o que está dentro de você.

Portanto, cuidado. Resolver o dilema da solidão (se para você ela é um dilema) está a seu cargo e não de outro.

Osho, com sapiência, afirma: “Só aquelas pessoas que são capazes de estar sozinhas são capazes de amar, de compartilhar, de ir ao âmago mais profundo de outra pessoa - sem possuir o outro, sem se tornar dependente do outro, sem reduzir o outro a uma coisa, e sem tornar-se viciado no outro. Permitem ao outro liberdade absoluta, porque sabem que, se o outro for embora, serão tão felizes como agora. A felicidade deles não pode ser levada pelo outro, porque não é dada pelo outro”.

Cultive a solidão, descubra-se, para que melhor você viva na companhia de quem ama!


Publicado em 26/10/2020 Autora: Patricia De Conti - Copyright ©

Conheça o site: Obstetra Curitiba
Site Desenvolvido por Águia Web - Criação de sites
Clique aqui para ter um site com qualidade e resultados!