Estava relaxada em meu quarto, com relativa paz de espírito e cheia de esperança por dias melhores diante do contexto da pandemia, quando soube da morte trágica do pequeno Henry Borel. Notícia amplamente divulgada nas mídias, notadamente, pela aparente crueldade.

Depois de ter trabalhado por anos no Ministério Público do Estado do Paraná e visto de perto crimes brutais de todas as ordens, não há como não se abalar diante de atrocidades que envolvem crianças.

Fiquei realmente abalada e ao mesmo tempo grata por minha filha, já adulta, ter tido a infância que toda criança merece, envolvida por muito carinho e cuidados.

São acontecimentos trágicos como esse noticiado que nos remetem a reflexões e que transformam nossas preocupações com o trabalho, trânsito e outras questões em eventos pequeníssimos.

 

Também se torna muito cristalino que é a conexão genuína com as pessoas do nosso convívio que nos sustenta, ao menos emocionalmente.

Mas, por outro lado, não valorizamos tanto quanto deveríamos as nossas relações interpessoais. Sacrificamos momentos preciosos com quem tanto amamos em detrimento de tarefas cotidianas e sem importância.

Observe que as perdas, as tragédias, as catástrofes e violências, tal como essa que arrebatou a vida do pequeno Henry, são verdadeiros “lembretes” acerca do que é mais importante nas nossas vidas.

E perceber esses lembretes pode criar a oportunidade de mais um abraço, de mais um almoço juntos, de mais um telefonema, de mais uma história antes de dormir, de mais um beijo na face.

São esses momentos triviais que constituem o que é, de fato, mais importante na vida humana e são eles que, lá na frente, estarão guardados na memória e farão nossos olhos brilharem e sorrirem.

Meu apelo é que todo e qualquer encontro com quem você ama, ainda que na rotina doméstica, seja genuíno, especial e cheio de amor. Faça da sua vida em família um momento festivo, de doação, de equilíbrio e de diálogo.

Olhe com o coração, ouça com o coração e proteja com o coração.

Lá na frente será tarde!

Que Henry Borel e todas as crianças vitimadas pela violência recebam, no céu, o carinho e o amor que, em vida, lhes foi negado.


Publicado em 27/04/2021 Autora: Patricia De Conti - Copyright ©

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