Acompanhando as últimas eleições presidenciais americanas, em que o país ficou, literalmente, dividido, lembrei-me das nossas eleições em 2018.

Guardadas de devidas proporções, nosso país também se dividiu. Nas redes sociais, nas ruas, nos palanques, até mesmo no âmbito familiar presenciamos verdadeiros embates políticos, cada qual defendendo a sua “bandeira”, suas convicções e seu candidato.

Ao final, enquanto metade da população respirava aliviada, sentindo-se ouvida e representada, a outra metade prendeu a respiração diante da frustração.

Bipartidarismos à parte, seja na terra do Tio Sam, seja em terras tupiniquins, me pergunto: pode uma nação se unir após uma corrida presidencial tão acirrada? É possível alcançarmos uma visão comum?

Ouvi, por várias vezes, o discurso do presidente americano eleito Joe Biden. Na festa de comemoração, reconhecendo que muitos eleitores estavam frustrados com o resultado, sua fala foi um verdadeiro chamamento à união, ao bem-comum, ao sepultamento das diferenças de qualquer ordem. Impossível não reconhecer um pacificador.

Então, ousando responder (com minha veia bastante otimista) às indagações acima, creio ser possível um país voltar a se unir, desde que haja moralidade, que nada mais é do que responsabilidade compartilhada.

O “EU” deve dar espaço ao “NÓS”! Vale dizer, é compreendendo os anseios e medos alheios que se torna possível cultivar a empatia e, de braços dados com ela, pensar e agir coletivamente.

Nessa proposta, não cabe falarmos em etnias, religiões, imigrantes ou culturas diversas. Afinal uma nação democrática comporta todo e qualquer tipo de diversidade, não é mesmo?!

Sabemos também que democracia é uma forma de governar pelo povo, e sendo assim, é inequívoco que aliada a ela está a moralidade.

E é com moralidade que abandonamos o julgamento, o dedo apontado, a crítica que não leva a lugar algum.

É com moralidade que o trabalho de reconstrução de uma nação se torna possível.

É com moralidade que um país funciona para todos, indistintamente.

É com moralidade que o "jeitinho brasileiro", alardeado mundo afora, deixará de nos representar.

É com moralidade que sepultaremos o famigerado verme da corrupção e da ganância.

É com moralidade que um belo discurso e uma boa oratória se transformam em atitudes responsáveis e coerentes.

É na moralidade que a justiça se faz presente.

Pensando bem, diante de toda essa necessidade moral, será que não estou imbuída de otimismo exacerbado ao crer que nosso sofrido país um dia se transformará, realmente, no “florão da América”?


Publicado em 13/11/2020 Autora: Patricia De Conti - Copyright ©

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