Na mitologia grega, o deus Pan residia na zona de perigo, além das muralhas seguras das aldeias. Se os humanos ultrapassassem o limite permitido, o ruído de um estalar de graveto ou uma simples rajada de vento provocava calafrios e pânico sem igual. Acreditavam que Pan pudesse devorar ou amaldiçoar os invasores.

No entanto, os que resistiam aos medos e, finalmente, conheciam Pan, percebiam que ele era inofensivo e concedia abundância e amor àqueles que o adoravam.

Tal como na mitologia grega, acredito que ao enfrentarmos com bravura e de peito aberto os nossos medos lucraremos sabedoria e força.

Cientistas sociais se referem a esse fenômeno como humildade intelectual, que pode ser entendida como a confiança adquirida para reconhecer nossas próprias limitações e medos. Podemos afirmar, também, que a humildade intelectual está associada a autoconsciência e abertura para novas ideias.

Além disso, compartilhar nossas vulnerabilidades com outras pessoas, permite criarmos veículo de conexão.

Episódios de violência, por exemplo, necessitam ser compartilhados para obtenção de justiça, mas principalmente, para, ao encontrar vitimas em igual situação ou vulnerabilidade, vislumbrarmos a oportunidade de libertação. 

Depressão e tristeza são outras situações que precisam ser noticiadas para familiares ou profissionais da saúde. 

Todos nós, invariavelmente, temos medos e fragilidades. Ao olhar de frente para cada um deles e dissecá-los é a chave da libertação para, assim como os habitantes das antigas aldeias gregas, recebermos acolhimento e paz.

Olhe de frente, não desvie o olhar, tome seus medos nas mãos, compartilhe e se liberte.


Publicado em 14/09/2021 Autora: Patricia De Conti - Copyright ©

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